Na verdade não é casa, tampouco própria, mas sim um lugar para morar sem condições humanas de se viver. Moradia comum, das que são vendidas aos montes nos últimos anos.
Ter onde morar é básico para vida de qualquer pessoa. Graças a isso o mercado se especializou não em construir moradias, mas sim vender títulos de imóveis, com alto custo agregado, iludindo pessoas de que estão adquirindo uma moradia, porém sem qualidade alguma.
Morar em um apartamento pode ser o suficiente para muitas pessoas. É um absurdo, mas não é o que interessa neste momento. Fizeram dos apartamentos, que são construções de baixíssimo custo, algo tão caro quanto fazendas, com espaço para construir muitas casas espaçosas. Não é só o tamanho de um “apê” que está preocupante. A qualidade da construção.
A experiência de morar num imóvel que tem o espaço privado quase dentro de outra propriedade, com sons, odores, sensações, intimidades diversas, etc. está sendo cada vez mais perigosa. Não há mais isolamento, separação de ambientes, sendo que o que um morador de um apartamento faz interfere e é sentido quase que completamente pelo vizinho. A referência aqui serve mais para apartamento, pois as casas possuem a vantagem de não estar em cima ou embaixo da outra.
Mas o que importa é ter uma “casa própria”, ter realizado o “sonho da casa própria”, porque a grande maioria das pessoas não conseguem pensar que estão comprando lixo e pagando caro por isso.
Qualquer imóvel de qualidade está com preço impossível para um cidadão comum comprar. As construtoras “populares”, aproveitando-se disso, espalham prédios, com apartamentos tendo a mínima qualidade de construção, só para atender essa demanda. A população tendo imóvel próprio mascara a real situação da falta de moradia, pois tanto faz para o controle de um censo se é uma mansão, uma casa bem construída, ou um apartamento feito pela MRV. É considerado moradia, tendo os mesmos custos.
Caixotes de cimento são consideradas residências, sendo que as pessoas não têm o conhecimento do absurdo que é isso, só porque a pintura externa, com algum desenho, faz parecer um “castelo”, ou algo mais “xique”.
Pessoas estão ficando doentes por morarem nesses tipos de imóveis simplesmente porque não conseguem dormir, por causa dos barulhos, falta de isolamento acústico, que minam a qualidade do sono. Excluindo a situação de perturbação proposital de sossego, que pode atingir qualquer pessoa em qualquer lugar.
Porém, a solução referente à falta de tranquilidade em um imóvel sempre é uma indisposição com o vizinho, piorada por negligência de quem deveria ajudar na solução disso, por exemplo, síndico em condomínio.
O emburrecimento generalizado da população agrava esse transtorno, fazendo que uma solução mais pacífica seja tomada. Basta tentar conversar com um vizinho que interfere na vida do outro para ver o que acontece.
É assunto sem fim isso.



